terça-feira, 4 de novembro de 2025

Eu tive que ir embora e é difícil mensurar tudo o que tem me afetado. Você tá muito mais presente do que antes. Muito mais presente até do que quando estávamos agarrados e nos beijando.

Tá muito presente em tudo o que sinto, vejo, falo e experimento. Tá presente quando não quero falar nada (o que é quase sempre). E tá presente no travesseiro que eu durmo agarrado todos os dias. 

Eu sinto falta de te ouvir falar sem parar. Sinto falta do tom da sua voz entrando nos meus ouvidos. Sinto falta de te ver. E sinto falta de você preocupada que meus pés estão pra fora da cama quando eu tô deitado.

Preciso do básico: seus beijos e você grudada em mim. Preciso saber como vai você. Preciso saber como tá a textura do seu cabelo (e dos seus peitos também. E da sua pele todinha). Preciso ouvir teu gemido me chamando de Mô. 

O pior de ir embora talvez não seja perceber tudo o que sinto falta e preciso. Talvez não seja conviver com sua ausência. Talvez não seja o peito apertado querendo te amar loucamente. O pior de ir embora é a necessidade de interromper meus pensamentos quando estou sonhando acordado com você. É precisar dizer para minha mente: chega, não podemos mais sonhar com ela. Não podemos mais criar cenários de como seria tê-la por duas semanas na minha cama me esperando chegar no fim do dia. Não podemos mais criar a expectativa de ver de novo aqueles lindos olhos castanhos e aquela boca deliciosa. Eu tive que ir e a pior parte é ter quem proibir minha mente e minha imaginação de sonharem com ela.

sábado, 1 de novembro de 2025

Eu meio que viciei em você. Eu viciei nos seus beijos. Eu te dizia que deveria ter te beijado o dobro quando pude, mas isso era por conta da saudade. Agora que sei que nunca os terei novamente, deveria ter te beijado o triplo. Eu meio que viciei no seu abraço. E me viciei em ter você em meus braços. Eu meio que viciei na sensação de estar em seus braços. Eu me viciei na paz que a sua presença, física ou virtual, proporcionava à minha mente. Eu meio que viciei em como a vida pareceu mais bonita depois de te conhecer. Eu me viciei no Mikhail que existe depois de ter conhecido a Mel. Você não sabe, mas depois de ter te visto pela primeira vez, eu me viciei na vida e em todas as possibilidades que pudessem surgir. Eu me viciei em como eu simplesmente podia viver novamente.
 
Raif Efendi diria algo como: "Como posso voltar a viver a minha vida depois que conheci a vida com a Mel?" E eu, por vezes, me pergunto o mesmo. Eu não falo da vida de antes de te conhecer pessoalmente, ali já existia a Mel. Eu falo da vida de antes de te ver, através do computador, no trabalho, pela primeira vez. Eu falo da vida onde não havia possibilidades. Onde sequer existiam sonhos. Eu falo de uma vida onde eu não caibo mais. E onde eu caberia perfeitamente senão na vida com a Mel? Mel não há mais. E nem a vida que existira.

A data do seu aniversário, o tamanho do seu dedo, a sua cor favorita e você gostar de banana da terra no café da manhã estão salvos como minha Mel 🤎. As nossas fotos e todas as que você mandou ainda tem um álbum chamado Minha Mulher. Eu frequentemente sonho com você me chamando de Mô, ou lendo uma mensagem em que você me chama assim. Frequentemente eu tenho me perguntado: O que o Mikhail da Mel faria? Hoje eu comprei um ingresso pra um festival de MPB em São Paulo pra ir sozinho, porque com certeza o Mikhail da Mel simplesmente iria sem se importar.
 
Eu meio que tenho uma vida pra voltar. Não é como se eu fosse ser um sem teto da existência. Mas não é a mesma coisa. Eu gostaria de ficar e que você quisesse ficar. Eu gostaria que as coisas se resolvessem, eu sinto falta da expectativa de te ver e de toda sua doçura, cuidado e carinho. E sinto falta de ser doce e carinhoso. Eu meio que queria poder abrir mão do que acredito só pra te ter comigo.

Você mudou, sem saber, a minha vida em muitos níveis. Antes e depois de me abraçar. Depois de ler o Madona, quando você disse que seria pretensão demais, mas que parecia viver aquilo, eu dei uma sincera gargalhada. Eu já tinha me perguntado várias vezes como seria minha vida sem minha Mel, assim como Raif se perguntara como poderia voltar pra vida dele depois de conhecer Maria Puder. No fim das contas, as marcações que você achava que eram pra alguém do passado, diziam muito mais sobre o agora.

Como na vida, eu não sei como finalizar isso. Eu colocaria um até mais, mas tá claro que você já não me quer mais por perto, da maneira que seja. Eu colocaria um adeus, mas eu não suportaria o ponto final. Então te mando apenas beijos, apaixonados, ternos e na quantidade que um beijoqueiro como eu os daria.

Você ainda vive em mim. Vive no belo céu azul das manhãs. Vive no tempo nublado que eu adoro. Vive nas noites mansas. Vive no dia chuvoso. Vive sempre que eu respiro.
 
Você ainda mora em mim. Mora nos meus olhos verdes. Mora na maneira melosa de ver a vida bela. Mora na minha vontade de estar melhor. Mora na minha procura pelo melhor. Mora nas grandiosas vontades de conhecer o mundo. E nas pequenas, de só observar o explendor do pôr do sol. Mora no barulho do estalo dos nossos selinhos, que agora é só silêncio. Mora nos beijos que guardei pra você. E nos abraços que meu coração tanto anseia, só para estar perto do seu. Mora no aperto que dou no meu travesseiro de manhã achando que é você ali comigo.

Você existe nas minhas vontades. Em todas elas. Você existe na minha melhor versão e também na pior. Existe na vontade de sempre estar na minha melhor versão. Você existe no desejo que eu menos compreendo: de partilhar tudo de mim com alguém. Existe no anseio de abrir todas minhas portas e janelas para a vida. Existe na curiosidade de sair da minha caverna.
 
Você existe na minha vontade de existir. Antes, eu sobrevivia.

domingo, 15 de dezembro de 2024

Eu frequentemente tenho dito adeus, mas eu nunca vou embora. Eu não sei o que acontece, mas eu simplesmente não tenho forças para avançar. Preso nesse ciclo vicioso, continuo fazendo as mesmas coisas. Tive forças para alterar as coisas por seis meses. A vida não facilitou, mas eu consegui me desprender da bebida e dos pensamentos. Eu cuidei de mim, fui à academia, melhorei minha alimentação, estudei e tentei. Tentei fazer melhor, tentei me cuidar e esperei que a vida melhorasse. 

Eu pude ver a luz no fim do túnel e pude sentir quando meus pés deixaram de experimentar a terra molhada do fundo do poço. Mas eu fraquejei. Eu deixei me enfraquecer pelas memórias do passado. A cabeça da cobra encontrou seu rabo e tudo voltou ao seu início. Eu não pude me despedir do passado e o que estava iniciando pareceu novamente com o início do passado.

A bebida voltou. Mas dessa vez não tem uma falsa felicidade. Desta vez, é só a tristeza e a dor de tudo que me foi tirado quando o meu eu ébrio ganha tempo de tela. Eu senti a falta de tudo aquilo que já tive e deixei escapar. Eu senti o ciclo reiniciar. Esse ano me devolveu o poder da observação. - Será que toda essa dor vem apenas do fato de eu estar conseguindo enxergar a realidade?

Eu tenho dito também que estou pronto para abrir mão de qualquer coisa, desde que eu consiga chegar aonde almejo. A vida tomou como desafio? Me enfraqueceu apenas para que eu demonstre que realmente quero algo?

Quando foi a última vez que realmente quis algo?

sexta-feira, 3 de maio de 2024

Não importa o quanto eu tente, nada parece o suficiente.
Não importa o quanto eu me cuide, os resultados param de chegar e parece a todo momento que eu estou andando para trás.
Não importa o quanto eu treine, aquele 1kg a mais no supino parece que nunca vai chegar.
Não importa o quanto eu me esforce estudando, parece que meu esforço nunca é o suficiente e que nunca irei ser bom em nada.
Não importa quantos currículos eu envie, uma resposta nunca chega. E quando chega, é não. E quando é sim, acaba se tornando um não também após uma entrevista que só serviu para expor o quanto eu não era o suficiente para a vaga.
Não importa o quanto eu pare de beber, eu sempre vou ser só o cara perfeito para tomar uma gelada numa sexta à tarde.
Não importa quantas séries, filmes, músicas e conhecimentos aleatórios eu tenha, parece que nunca vou suficiente para que alguém se interesse por mim.
Não importa o quanto eu tente, me esforce e dê o meu melhor, minha vida parece nunca caminhar. Parece emperrada. Simplesmente não vai.
Não importa o quanto eu queira me mudar para algum lugar em que ninguém me conheça, isso nunca vai acontecer. A vida simplesmente não me quer feliz. Não me quer recomeçando. Está só me cedendo a grande merda de oportunidade de estar vivo.
Não importa o quanto eu odeie a vida e as forças do universo ou qualquer divindade, eu só pareço um vírus sem propósito que o antivírus do computador deixou passar e que não faz absolutamente nada de ruim ou de bom.

domingo, 7 de janeiro de 2024

Se eu não mudar, eu perco

Um tempo atrás eu li a seguinte frase em algum lugar: "se eu não mudar, eu perco". Ao passo que essa frase se fundia com meus pensamentos, eu notei uma outra frase escrita num muro na rua onde passo todos os dias para ir à academia: "si você não muda nada muda" (pessoalmente sou muito fã de erros de grafia em protestos, causa um impacto e tanto).

Posso dizer que não consigo mensurar o quanto eu tenho perdido. Se puxo na memória, me lembro bem que em 2012 eu ganhei. Ganhei muito. Posso me considerar um campeão. Em 2013, creio que começaram os empates. Sabe como é, né? Acomodação do campeão. Em 2014 eu comecei a perder. São três mil  seiscentos e cinquenta e sete dias perdendo. No início eu não entendia. Não sabia que aquilo tudo era derrota. Mas eu estou sendo derrotado, sabendo disso ou não.

Quando me dei conta de que tudo que tenho feito nos últimos dez anos é ser derrotado, eu me peguei numa pergunta profunda e aterrorizante: o que eu tenho para perder mesmo? Eu evitei pensar sobre isso por um tempo. Sempre que me ocorria tentar entender minhas perdas, eu simplesmente não me permitia. Depois de um tempo fui absorvendo cada derrota dos últimos dez anos e posso dizer... não foi fácil.

Eu poderia listar todas as minhas perdas aqui. Algumas amizades, o amor da minha vida, oportunidades de mudar de vida, cidade ou país, dinheiro, objetos, animais, uma jaqueta que eu amava muito, a vontade de viver e por aí vai. Uma infinidade de coisas.

Por que eu me perdi? Essa é a pergunta principal. Eu entrei numa espiral sem fim onde eu não me achava mais. Eu me separei de tudo que me fazia ser eu mesmo. Posso olhar fotos ou ouvir pessoas me dizerem como eu era. Eu simplesmente não consigo me achar dentro de mim. Perdi muitas memórias de quem eu era. Todos somos mutáveis, mas eu não consigo achar minha essência. Eu tenho me guiado no caminho que eu acho que eu tomaria. É como se eu fosse um copiloto de mim mesmo esperando o meu piloto me encontrar. Ou será que eu sou o piloto fazendo a vez de copiloto?

Eu cansei de perder e estou pronto para sacrificar qualquer coisa que me impeça de voltar a ganhar. Se eu não mudar, nada muda. Se eu não mudar, eu perco.


domingo, 10 de setembro de 2023

 Às vezes eu penso que simplesmente morrer seria bom. Do nada pá: morri. Mas não sei. Eu sou um pouco espírita e, na minha concepção, desgostar da dádiva de viver se assemelha um pouco ao suicídio (e sabemos que em qualquer religião e no agnosticismo/ateísmo isso não é uma coisa boa). Então eu só estou lá.

(...)

Isso normalmente daria um texto completo (até porque eu já havia escrito em minha mente e o perdi), mas estou um pouco bêbado nessa noite quente que não me lembro bem a estação. 


Mikhail Levinski, noites de quase verão