Nós nem chegamos a tirar uma foto juntos. Eu tinha certeza de que não precisaria ter que lembrar de nós por uma foto. Eu tinha certeza de que teria muito tempo pra decorar todos os seus detalhes ao vivo. E seria como uma série em que toda semana eu te assistiria e decoraria cada cantinho do seu rosto lindo. Cada relevo dos seus dentes. Decoraria como era a textura da sua boca. E dos seus peitos. E da sua pele todinha. E então, só então, eu teria nossa foto. Não só pra te decorar. Mas para me olhar e tentar adivinhar se ali, naquele registro, foi registrado toda o regojizo que eu sentia ao sentir a sua pele na minha. Toda a fagulha de felicidade que eu sentia ao estar perto de você. Queria ver se aquela brasinha de paixão também ardia quente na foto, tanto quanto ardia no meu coração.
Eu só tenho uma foto da sua perna, deitada na minha cama com a Noah do lado. E aquela que você tirou pra eu ver seu lookinho pra gente ir no encontro de moto. E uma com jaqueta que você disse: "pra caso esfriar". Esfriou um pouco naquela noite, mas você não estava com a jaqueta rs.
Não sobrou muita coisa de você depois que destruí tudo o que tínhamos. Nada além de saudade, vontade de você e alguns cabelos seus no meu quarto e no meu banheiro. No entanto, sobrou algo em mim que gostaria que não mais existisse.
Sobrou aquela antiga e familiar voz na minha cabeça. Aquela voz que, tal como uma herpes, espera a mínima baixa para atacar. Sobrou a voz que não precisa gritar: apenas um sussurro é capaz de estremecer. E ela voltou a falar bem baixinho: você não merece a felicidade. Você está fadado a destruir tudo de bom que tocar a sua vida.