sexta-feira, 29 de julho de 2016

É Tarde

Ela foi a única que já me viu chorar. A única que me abraçou enquanto em prantos eu me derramava, e sem dizer uma só palavra, meu cabelos afagava e a mim abraçava.
Foi no nosso segundo natal juntos (consegui não estragar o primeiro), depois de 9 anos da morte do meu pai, eu finalmente consegui demonstrar para alguém a falta que ele me fazia. Ela me trouxe a sensação de preenchimento e de família que o natal costuma trazer e que eu não sentia há anos, desde a morte do meu pai, e posteriormente, desde a separação dos meus tios.
Ontem o dia foi atípico: almoço em família e café da tarde, mãe, vó, irmão, minha tia e meu tio. Ela era só um pequeno ponto faltando, um pequeno ponto que pesava uma tonelada no meu coração.
Eu nunca fui capaz de demonstrar a ela tudo o que ela significava para mim, acho que nem eu mesmo tinha ideia de tudo o que ela representava para mim. Me prendi demais no amor, paixão, amizade, companheirismo, tesão. Era muito mais do que isso, ainda é muito mais. É algo que nunca soube sintetizar.
Nunca consegui demonstrar tudo isso à ela e nunca conseguirei. É tarde demais.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Já faz quase dois anos. Desde aquele doloroso “foda-se, agora quem não quer mais sou eu”, eu nunca mais fui o mesmo.
Já faz quase dois anos e eu ainda choro por você, às vezes. Me deu vontade de ouvir a sua voz, como sempre não tive coragem de ligar, que desculpa eu daria depois de todo esse tempo? Resolvi ver nossas fotos, desabei. Tudo me fazia despejar lágrimas em demasia, seu sorriso lindo, seu rosto maravilhoso, sua cara de doida, seus olhos brilhantes olhando para mim tirando as fotos.
Lembrei do seu dente de leite e da cirurgia que você teria de fazer pra poder colocar o dente definitivo no lugar e o quanto você tinha medo de ficar com o rosto deformado. Lembrei da nossa primeira semana juntos, do seu primeiro aniversário comigo e de quando te pedi em namoro, deitados na sua cama, olhando pro teto.
Eu queria te esquecer. Eu queria parar de te amar. Já tentei de tudo, já fiz trabalho, já pedi para Deus, supliquei para os anjos e tentei conspirar com o Universo para que você saísse da minha cabeça e do meu coração. Já beijei outras bocas, já trepei com outras mulheres, já fingi me apaixonar, já me apaixonei, já bebi até o fígado não conseguir aguentar. Mas de uma forma ou de outra você continua aqui. É para você que eu quero ligar no fim do dia e dizer como fiquei puto no trabalho, como dei duro na academia, como me sinto idiota por ter reprovado em três matérias na faculdade. E no começo do próximo dia, é com você que eu quero amanhecer abraçado, não com meu travesseiro. Ninguém mais dormiu na minha cama, a não ser eu, minha saudade de você e seu fantasma.
Existe alguma forma de dizer para o meu coração, cérebro e alma que o nosso pra sempre já acabou? Que você tá bem sem mim? E que o amor que jurei que seria pra sempre e o juramento que seria seu pra sempre já não tem mais validade? Existe uma forma de apagar você e meu amor e minhas lembranças?

quinta-feira, 14 de julho de 2016

O tempo (não) passou

Bexta que sou,
Acreditei que o tempo passou.
Pensei tê-la esquecido
Mais do que um dia
Eu esqueci quem sou.

A vida não mais me sorriu.
Cretina! Parece ter me esquecido
Tal qual aquela que (ainda) amo
Há muito me esqueceu.

Parece ser difícil concordar que
Com ou sem ela, meu coração ainda bate.
A consciência um dia me pegou, mané
Estou (re) aprendendo a ser quem sou.

Faz tanto tempo que ela se foi
E meu coração ficou partido.
Minha alma não tomou partido
E meu cérebro, bem repartido guerreia:
Lado esquerdo e direito se matam
Pelo título de quem mais pensa nela.