segunda-feira, 4 de maio de 2026

Hoje é domingo e é dia de episódio novo de uma das minhas séries favoritas. Essa que te obriguei a assistir comigo pois estava fazendo maratona para a temporada nova. Hoje teve um episódio novo. Teve a ansiedade de um episódio novo. Teve a animação de um episódio novo. Teve a expectativa de descobertas novas. Mas não tava tudo tão legal. Não tinha você pra ver comigo. Teve a saudade de você. Teve a falta que você me faz. Teve a vontade de te abraçar. E de sentir sua pele na minha. E de ficar pausando o tempo todo para te explicar todos os detalhes do que tá acontecendo. Teve a vontade de te encher de beijos.

Hoje também teve show do Fernando e Sorocaba. Confesso que não eram meus favoritos nem quando eu era do sertanejo durante a adolescência. Eu fui e o show foi bom. Cheio de boas recordações e nostalgia. Mas eu sei que teria sido muito melhor se você estivesse lá comigo. Eu senti falta de ficar abraçado com você e de te encher de beijos. Eu esperava que um milagre acontecesse e eu pudesse te avistar no meio da imensa multidão.

Eu tenho sentido sua falta. Sinto falta dos seus beijos. Sinto falta da sua pele na minha. Sinto falta do seu bom dia. Sinto falta do friozinho na barriga sempre que ia te ver. Sinto falta de te olhar e ficar em silêncio. Sinto falta do cheirinho que você me dava quando acordávamos.

Hoje é domingo. E domingos sempre são os dias da falta. Mesmo quando a gente não tem do que sentir falta, sentimos falta de algo simplesmente indescritível. Hoje é domingo e eu me dei conta do quanto sinto sua falta em todos os dias da semana. Neste dia, eu me permiti contar a mim mesmo sobre a saudade que tenho de você.

Hoje é domingo e eu me dei conta do sentimento que fiz crescer por você. E não vou ousar dizê-lo em voz alta. Nem mesmo sussurrar só para eu mesmo escutar.

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Nós nem chegamos a tirar uma foto juntos. Eu tinha certeza de que não precisaria ter que lembrar de nós por uma foto. Eu tinha certeza de que teria muito tempo pra decorar todos os seus detalhes ao vivo. E seria como uma série em que toda semana eu te assistiria e decoraria cada cantinho do seu rosto lindo. Cada relevo dos seus dentes. Decoraria como era a textura da sua boca. E dos seus peitos. E da sua pele todinha. E então, só então, eu teria nossa foto. Não só pra te decorar. Mas para me olhar e tentar adivinhar se ali, naquele registro, foi registrado toda o regojizo que eu sentia ao sentir a sua pele na minha. Toda a fagulha de felicidade que eu sentia ao estar perto de você. Queria ver se aquela brasinha de paixão também ardia quente na foto, tanto quanto ardia no meu coração. 

Eu só tenho uma foto da sua perna, deitada na minha cama com a Noah do lado. E aquela que você tirou pra eu ver seu lookinho pra gente ir no encontro de moto. E uma com jaqueta que você disse: "pra caso esfriar". Esfriou um pouco naquela noite, mas você não estava com a jaqueta rs.

Não sobrou muita coisa de você depois que destruí tudo o que tínhamos. Nada além de saudade, vontade de você e alguns cabelos seus no meu quarto e no meu banheiro. No entanto, sobrou algo em mim que gostaria que não mais existisse.

Sobrou aquela antiga e familiar voz na minha cabeça. Aquela voz que, tal como uma herpes, espera a mínima baixa para atacar. Sobrou a voz que não precisa gritar: apenas um sussurro é capaz de estremecer. E ela voltou a falar bem baixinho: você não merece a felicidade. Você está fadado a destruir tudo de bom que tocar a sua vida.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Eu tava bem pensando aqui sobre como tudo relacionado ao amor parece bobo depois que ele lhe escapa às mãos. Fotos, as músicas compartilhadas, entradas de algum lugar visitado, passagens, cartas escritas à mão e textos de amor e saudade. Tudo, exatamente tudo, parece bobo, clichê e demodê. Quase que como uma ode ao autoflagelo. Isso, claro, para quem ficou amando. Ou que ao menos achou que houve algum tipo de amor.

Quando reflito sobre todos os textos de amor que te escrevi e sobre o tanto de alma que coloquei em cada letra, um único pensamento paira inabalável: quão patético acha aquela que, outrora, fora objeto de meu amor e razão de meu desejo, eu sou por tudo isso? Oras! Como não o poderia ser quando tudo o que foi me dado foram promessas em forma de brincadeira e, eu tolo, acreditei? Como não poderia ser patético quando fui nada, mas deixei que me fossem tudo? Como não poderia ser patético quando explícito o aviso de "vou te deixar" estava e os olhos inocentes do amor não souberam ler? 

O amor vira patético na falta. Na falta de um adeus. Na falta da construção da saudade para fazer par à ausência. Na falta do toque. E na falta de expressar, com verdades, aquilo que se é ou não.

Um pensamento paira inabalável: quão patético sou por ter amado e por ter sofrido? Por ter escrito cartas e textos de amor? Por ter guardado fotos e as entradas daquele museu que fomos? Agora não aos belos olhos castanhos dela, mas aos meus. Como eu pudera abrir mão de mim para deixá-la entrar?


domingo, 8 de fevereiro de 2026

Uma vez ouvi dizer que somos um amontoado de manias que emprestamos daqueles que amamos. Quando penso naquilo que faço automaticamente no meu dia a dia, eu aprecio muitas coisas que herdei daqueles que amo. Como começar o banho lavando o cabelo e nunca jogar água no creme dental antes de escovar os dentes, porque alguém que amei muito me disse que assim era melhor. Ou não me estressar mais tanto com atrasos, porque uma das melhores pessoas que conheço vive atrasada. Confesso que hoje eu também vivo atrasado. E ter coragem para continuar vivendo, mesmo com os traumas. E me refazer por inteiro, sempre que necessário.

Eu sempre tive um ritual secreto quando comia kiwi. Eu sempre torcia (muito) para que ao tocar minha língua, o kiwi fosse azedo. Isso ditaria como me sentiria no restante do meu dia. Eu me lembro de quando te contei isso (nunca contara para ninguém) e você achou um absurdo. Hoje, eu ainda torço para que o kiwi seja azedo, mas dou um sorriso de canto de boca quando vem o gosto doce. E o meu segundo suco favorito agora é kiwi com abacaxi, porque você me disse que era bom. Eu tenho medo de experimentar banana da terra no café da manhã, gostar e ter algo mais para me lembrar de você. 

Dia desses eu escutei Dio pela primeira vez. Isso veio de você, mas não foi você quem me mostrou. Eu me lembrei, então, de tudo que eu gostava e que não me permitia mais gostar há algum tempo. De repente, fui inundado por um bocado de coisas que me faziam ser eu, mas que eu havia esquecido num canto escuro dentro de mim.

Inevitavelmente, eu precisei pensar sobre como foi te encontrar. Eu sei que não é justo colocar tudo isso nos ombros de alguém, mas o faço com a beleza e a leveza que você me trouxe. Te encontrar foi me libertar. Foi trazer de volta à vida tudo o que representa ser eu. A intensidade, a vontade de viver, o romantismo em mim, o prazer de escrever, o brilho e a beleza aos meus olhos. Foi trazer de volta a maneira bonita de ver beleza em tudo. Eu nunca serei capaz de explicar o porquê você foi capaz de trazer tudo isso de volta. Acho que foi só por ser você mesma. Também não sou capaz de expressar o tanto que eu gostaria que ainda estivéssemos. Nem o tanto que a vida se tornou bela quando te beijei. E nem o tanto que perdeu um pouquinho o brilho quando tivemos que partir.

Não posso dizer que sofro, pois minimizaria tudo o que você é, tudo o que me trouxe e todas as maravilhas que foi ter você comigo. Seria injusto fazer-te caber onde não deves. Tampouco posso dizer que estou feliz, pois hoje só o poderia ser se estivesses comigo. Digo então que sou agraciado. Agraciado por te encontrar e, por consequência, me reencontrar. Agraciado por ter presenciado tamanha beleza ao olhar os teus olhos e por ter sido iluminado pelo seu sorriso. Agraciado pela divindade do sabor dos seus beijos e da sinergia perfeita do toque da sua pele na minha. Agraciado, enfim, por ter ouvido meu nome ser pronunciado diversas vezes pelo tom extasiante da sua voz.  

sábado, 24 de janeiro de 2026

Por mais que eu não pense mais tanto assim em você e, por mais que cada vez menos eu sinta a sua falta, ainda há momentos em que eu lembro de você. Ainda há momentos que eu gostaria que você estivesse comigo.

Neste momento, eu sou capaz de visualizar perfeitamente nós jogando sinuca num bar de rock com chopp superfaturado e nos beijando ao som de um cover ao vivo de Linger. Eu de fato estou no bar de rock com chopp superfaturado e, por algum motivo, eu gostaria de você ao meu lado ouvindo uma banda tocar cover composto de apenas rock cantado por mulheres. E eu que nem sou de jogar sinuca, quando olhei as mesas um pouco separadas do público e ao lado do palco, eu te imaginei com o taco numa mão, a outra me abraçando e nós atentos à banda.

Eu acho que isso faz parte de superar. Num dia eu posso ler meu livro favorito (aquele mesmo que estava dormindo comigo só porque passou pelas suas mãos) e não sentir saudades de você. Mas eu também posso pular meu treino de braço só porque você vivia elogiando meus "bração". E também sentir sua falta e te querer por perto num sábado de rock qualquer.

Me conforta saber que minha memória é fraca e logo eu esquecerei de quão bela você é. E de seu sorriso pateta e de seus olhinhos lindos e de seu deslumbrante cabelão. Eu gostaria que a memória do coração fosse fraca também e eu esquecesse na rapidez da velocidade da luz o tanto que te encontrar nessa vida foi especial pra mim.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

"A dor do amor é com outro amor que a gente cura". Uma frase clássica de umas dessas músicas que o brasileiro nasce sabendo cantar. Pelo menos os acima de 30 anos. 

Eu, pessoalmente, nunca vi sentido. Sempre achei que primeiro nos curávamos e, depois, amávamos novamente. Mas também não sou parâmetro. Eu deixei que a dor de um amor me machucasse por 10 anos. Parte por culpa de alguns erros. Parte por medo. Parte por não achar que fosse digno que alguém me amasse de novo. E parte por simplesmente achar que, ao me curar, tudo o que fui e tudo o que aconteceu iriam embora.

Mas, no instante em que a vi através daquela tela pequena do notebook, no instante em que senti que todos os astros se alinharam, no instante em que fui inundado por paixão, tesão, desejo e por um regozijo ao ouvi-la falar, naquele singular instante que ousei acreditar que aquilo um dia poderia vir a ser amor, eu me curei. Eu me curei da dor do amor e, agora, a dor daquilo que nunca seria amor voltou a doer.

A rejeição e a sua partida não me doem. Dói a incerteza. Eu não sei o que foi real e o que não foi e essa incerteza do que pode ou não ter sido me corrói. A necessidade de interpretar demais as palavras que seus belos lábios diziam me dói. O que era verdade nas suas palavras e no nosso encontro e o que era apenas conveniência disfarçada como música aos meus ouvidos? Dói ter imaginado, por um segundo, que tínhamos encontrado algo mágico para nós.

Talvez seja verdade. Um novo amor cura a dor de outro amor. Seja ele o amor próprio, o amor pelas pequenas nuances da existência ou o amor de terceiros. 

Mas, no fundo mesmo, a verdade é que para alguém que vive ansiando por magia, eu não deveria enxergá-la onde ela não existe.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Penso em como poderia ter sido diferente. E se eu tivesse sido mais cuidadoso e atencioso com você? Eu teria visto que se eu estava recebendo o que eu queria, você estava dando o que não queria. E se a gente não tivesse simplesmente vivido o momento? Talvez não caíssemos na espiral do fim, mas também não viveríamos o que vivemos. Eu viveria tudo isso com o freio de mão puxado e não teria sido a mesma coisa. E se eu tivesse te escutado melhor quando combinamos tudo aquilo? Eu teria feito as perguntas certas e, talvez, você ainda estivesse aqui. E se quando você se deu conta que estava entrando onde não queria, eu simplesmente aceitasse o que você queria dar? Eu poderia ter aceitado. Poderia, sim! Mas eu penso demais, você sabe. E imaginei todos os cenários possíveis. Pensei demais, você sabe. E se eu tivesse pensando menos? Talvez não tivesse me escondido de você e te levado a ir embora da maneira que você foi.

Penso em como seria o dia de hoje. Estaria eu comendo a sua comida? Ou você estaria comendo a minha? Com certeza estaríamos grudados e reclamando do calor que está fazendo. Mas na minha cama grande ou na sua extremamente minúscula que eu mal caberia? Nós daríamos milhões de beijos geladinhos com gosto de cerveja, mas estaríamos bebendo com a minha ou com a sua sogra? Lá naquele dia, enquanto você dizia que eu pensava demais, eu já imaginava o quanto gostaria de responder essas perguntas do dia de hoje.
 
Penso que gostaria de te mandar uma mensagem no dia 01/01 às 00:01. Só pra te dizer que espero que seu ano seja tão maravilhoso quanto a pessoa que você é. Te diria que espero que você alcance muitas realizações nesse novo ano e que você é merecedora de toda conquista que obtiver. Te falaria no quanto o meu coração fica quentinho por pensar em como foi te conhecer. E que se eu tivesse 100 oportunidades de te conhecer, eu aproveitaria cada oportunidade dessa pra te ver, te beijar, te tocar e te amar. Mesmo que o final sempre fosse o mesmo.

Desculpe. Eu penso demais, você sabe. E eu penso demais em você, talvez você não saiba.


domingo, 14 de dezembro de 2025

Eu não sabia que precisava ver meu nome escrito na sua letra, até ler meu nome escrito na sua letra. 

Eu não sabia que eu precisava dos seus beijos, até saborear seus deliciosos lábios. 

Eu não sabia que precisava descobrir a textura da sua pele, até acariciar seu corpo inteiro.

Eu não sabia que precisava do seu cheiro, até o aroma da sua pele me inebriar.

Eu não sabia que precisava do seu carinho, até ser a conchinha menor na nossa única noite. 

Eu não sabia que precisava de você, até me apaixonar apenas e primeiramente pelo tom da sua voz. 

Eu não sabia que te esperava, até ver que você não me escreveu nem um até logo quando me devolveu meu livro favorito. Foi aí que me dei conta de que te esperava, mesmo dizendo que não o faria.

Eu não sabia por que te aguardava. E nunca soube. Em nenhuma das fases que vivi eu soube. 

Eu não sei por que ainda te quero. Talvez não queira. Talvez quem queira é aquele cara de três anos atrás. O que se apaixonou pelo tom da sua voz. Não o que te viu ir embora sem dizer adeus. Não o que foi embora sem dizer adeus.

Eu não sabia que precisava te ouvir dizer que tudo foi real, até você não dizer mais nada.

Eu não sabia que precisava dormir mais uma noite com você, até completar a terceira noite dormindo com meu livro favorito do meu lado na cama. Só porque este mesmo livro já esteve em suas mãos.

Eu não sabia que precisava gritar o seu nome, até o silêncio da sua partida me deixar surdo. 

Eu não sabia que só viver com você nos afastaria, até que berramos um adeus sem dizer uma única palavra. 

Eu não sabia que tudo terminaria tão rápido que nem daria tempo de te beijar de novo, até que terminou.

E eu faria tudo de novo, em todas as oportunidades que tivesse.