terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Eu tava bem pensando aqui sobre como tudo relacionado ao amor parece bobo depois que ele lhe escapa às mãos. Fotos, as músicas compartilhadas, entradas de algum lugar visitado, passagens, cartas escritas à mão e textos de amor e saudade. Tudo, exatamente tudo, parece bobo, clichê e demodê. Quase que como uma ode ao autoflagelo. Isso, claro, para quem ficou amando. Ou que ao menos achou que houve algum tipo de amor.

Quando reflito sobre todos os textos de amor que te escrevi e sobre o tanto de alma que coloquei em cada letra, um único pensamento paira inabalável: quão patético acha aquela que, outrora, fora objeto de meu amor e razão de meu desejo, eu sou por tudo isso? Oras! Como não o poderia ser quando tudo o que foi me dado foram promessas em forma de brincadeira e, eu tolo, acreditei? Como não poderia ser patético quando fui nada, mas deixei que me fossem tudo? Como não poderia ser patético quando explícito o aviso de "vou te deixar" estava e os olhos inocentes do amor não souberam ler? 

O amor vira patético na falta. Na falta de um adeus. Na falta da construção da saudade para fazer par à ausência. Na falta do toque. E na falta de expressar, com verdades, aquilo que se é ou não.

Um pensamento paira inabalável: quão patético sou por ter amado e por ter sofrido? Por ter escrito cartas e textos de amor? Por ter guardado fotos e as entradas daquele museu que fomos? Agora não aos belos olhos castanhos dela, mas aos meus. Como eu pudera abrir mão de mim para deixá-la entrar?


domingo, 8 de fevereiro de 2026

Uma vez ouvi dizer que somos um amontoado de manias que emprestamos daqueles que amamos. Quando penso naquilo que faço automaticamente no meu dia a dia, eu aprecio muitas coisas que herdei daqueles que amo. Como começar o banho lavando o cabelo e nunca jogar água no creme dental antes de escovar os dentes, porque alguém que amei muito me disse que assim era melhor. Ou não me estressar mais tanto com atrasos, porque uma das melhores pessoas que conheço vive atrasada. Confesso que hoje eu também vivo atrasado. E ter coragem para continuar vivendo, mesmo com os traumas. E me refazer por inteiro, sempre que necessário.

Eu sempre tive um ritual secreto quando comia kiwi. Eu sempre torcia (muito) para que ao tocar minha língua, o kiwi fosse azedo. Isso ditaria como me sentiria no restante do meu dia. Eu me lembro de quando te contei isso (nunca contara para ninguém) e você achou um absurdo. Hoje, eu ainda torço para que o kiwi seja azedo, mas dou um sorriso de canto de boca quando vem o gosto doce. E o meu segundo suco favorito agora é kiwi com abacaxi, porque você me disse que era bom. Eu tenho medo de experimentar banana da terra no café da manhã, gostar e ter algo mais para me lembrar de você. 

Dia desses eu escutei Dio pela primeira vez. Isso veio de você, mas não foi você quem me mostrou. Eu me lembrei, então, de tudo que eu gostava e que não me permitia mais gostar há algum tempo. De repente, fui inundado por um bocado de coisas que me faziam ser eu, mas que eu havia esquecido num canto escuro dentro de mim.

Inevitavelmente, eu precisei pensar sobre como foi te encontrar. Eu sei que não é justo colocar tudo isso nos ombros de alguém, mas o faço com a beleza e a leveza que você me trouxe. Te encontrar foi me libertar. Foi trazer de volta à vida tudo o que representa ser eu. A intensidade, a vontade de viver, o romantismo em mim, o prazer de escrever, o brilho e a beleza aos meus olhos. Foi trazer de volta a maneira bonita de ver beleza em tudo. Eu nunca serei capaz de explicar o porquê você foi capaz de trazer tudo isso de volta. Acho que foi só por ser você mesma. Também não sou capaz de expressar o tanto que eu gostaria que ainda estivéssemos. Nem o tanto que a vida se tornou bela quando te beijei. E nem o tanto que perdeu um pouquinho o brilho quando tivemos que partir.

Não posso dizer que sofro, pois minimizaria tudo o que você é, tudo o que me trouxe e todas as maravilhas que foi ter você comigo. Seria injusto fazer-te caber onde não deves. Tampouco posso dizer que estou feliz, pois hoje só o poderia ser se estivesses comigo. Digo então que sou agraciado. Agraciado por te encontrar e, por consequência, me reencontrar. Agraciado por ter presenciado tamanha beleza ao olhar os teus olhos e por ter sido iluminado pelo seu sorriso. Agraciado pela divindade do sabor dos seus beijos e da sinergia perfeita do toque da sua pele na minha. Agraciado, enfim, por ter ouvido meu nome ser pronunciado diversas vezes pelo tom extasiante da sua voz.