sábado, 14 de janeiro de 2017

Lembrei-me


O tempo é implacável: passa sem dó.

Lembranças também são implacáveis: lembram a mente de coisas que há muito se foram, e mais: te levam do riso à dor em segundos, e vice-versa.
Então estava eu aqui, nesta tarde ensolarada com as janelas fechadas, músicas aleatórias tocando, a Noah roncando e tomando a maior parte da cama e, assim como o respirar automático, me lembrei de você.
Me lembrei dos beijos apaixonados e sorrisos sem fim nas chegadas e dos abraços apertados, beijos chorosos e promessas de que o tempo iria passar rápido, em cada despedida.
Me lembrei de tudo que me fazia ser loucamente apaixonado por você e que me faziam te amar incondicionalmente. Foi engraçado lembrar das minhas milhares de falhas nos seus dias de carência de tentar te explicar que não existiam motivos para te amar, que você era o motivo.
Me lembrei dos nossos românticos dias monótonos, única época da minha vida em que ficar deitado ao seu lado parecia 99% melhor do que qualquer coisa a se fazer.
Me lembrei que nem tudo é o que parece ser, éramos, constantemente, dois meteoros em rota de colisão, e quando colidíamos, destruíamos tudo ao nosso redor, e então, nos amávamos sem precedentes.
Me lembrei da paz que o seu amor me trazia e da aconchegante sensação de estar em seus braços.
Me lembrei... de te amar um pouquinho mais, mas depois, pelo meu próprio bem, esqueci.

sábado, 26 de novembro de 2016

Conflitos

Quem é você? Algum dia você já amou tanto alguém, que esse amor te sugou até sua essência?
Pra onde eu olho, eu vejo amigos e até meu não tão ex-amor darem novas vidas ao mundo. Me pergunto: desde quando eu me tornei alérgico à bebês?
Já fui homem pra casar. No papel passado. Na igreja vestido de branco, ou na praia. Na cerimônia para só amigos íntimos. Já fui homem pra ser pai. De um casal, de humanos e de cachorros. E de talvez gatos, apesar de ter um pouco de medo.
A pior parte de me recuperar depois desses quase dois anos desde que ela se foi, foi procurar, exaustivamente esse homem que fui antes de conhecê-la. Não sou mais a imagem perfeita que criei de mim, ela se foi, junto com meu amor.
Amor, já não há mais. Tampouco a imagem, mais angelical do que real que me fazia especial.
Diante do espelho aparece: homem real, sem amor, só sacanagem. Sem palavras doces, só cerveja. Pra animar um pouco, aquele doido que surge quando a vodka cai no estômago.
Sou esse que sempre fui eu.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Eu te amo, vida!

Eu escrevi uma carta para ela. Foi a coisa mais linda e mais egoísta que já escrevi.
Eu coloquei, em cada letra, uma pequena porção do amor que tenho por ela. A cada palavra escrita eu sentia meu coração aliviar. Finalmente ela saberia tudo o que o seu amor fizera comigo. Saberia finalmente que foi única e sempre será.
Meu amor saberia que eu nunca parei no tempo. Eu só nunca quis seguir sem ela. Nunca fui um homem de objetivos, sempre deixei a vida fazer a parte dela e eu sempre escolhi os caminhos mais perigosos. Num desses caminhos eu a encontrei. Ela me mostrou o caminho e a razão de se continuar seguindo. Agora me diga: qual a razão de continuar seguindo senão a razão de ter meu amor ao meu lado? Ela não vem mais. Nunca mais.
Ela saberia cada detalhe de minha partida. Não faltou amor, faltou sanidade.
Ela saberia que meus olhos caem de amor pelos olhos dela. Saberia que meus ouvidos se contorciam de tesão ao ouvir o seu sotaque. Saberia que meu coração ficava feliz ao estar perto do coração dela, e isso bastava. Saberia o quanto eu a amo, mais que tudo. Ela saberia, se um dia eu enviasse a tal carta.
Ela nunca vai saber que entre os meus maiores desejos, um reina absoluto: que ela esteja bem e que seja a mulher mais feliz do mundo. Isso ela nunca saberá, infelizmente.


domingo, 25 de setembro de 2016

Em uma de suas músicas, Cícero diz: "faz um tempo eu não sei o que é saudade." Bom, fazia um tempo que eu não sabia o que era saudade.
No dia de hoje eu estou sentindo aquele velho aperto no peito da saudade. Reconheço cada pedaço dessa viagem. Foram 3 anos de viagens constantes à Cidade Maravilhosa. Ela, carioca linda, dona do sorriso mais lindo do mundo e detentora de uma rabugentice sem igual, nascida e criada na Tijuca. Eu apenas um paulista do interior.
Confesso que cada músculo do meu corpo, quase que como em um ato rotineiro, quis me levar a pegar o celular e enviar uma mensagem a ela: vida, cheguei!
Bem, a vida, já é a vida de outro. Mesmo depois de 2 anos ela é ainda inquilina no meu coração e detém todo o meu amor. E, com muita sorte que eu sei que eu não tenho, vou topar com ela por aí. Gostaria.
-Fazia um tempo que eu não sabia o que era saudade.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Rehab

Passei um bom tempo na reabilitação da vida: sexo, drogas e rock and roll (e cerveja, MUITA cerveja). Tudo pra tentar me livrar das memórias sobre você e nós, que estavam encrustadas na minha cabeça.
Passei dias embriagado. Todo fim de semana uma puta diferente. Todo sábado um nome diferente, uma história de vida diferente e uma diferente razão para estar comemorando com mulheres da vida à base de vodka, whisky e cerveja. No fim da noite eu já não sabia qual era meu nome inventado. E nem quem eu era.
Foi uma tentativa frustrada de tentar não pensar em você. Prometi até parar de escrever.
Esse tempo passou e eu segui em frente para a segunda parte da reabilitação da vida: elucidação dos meus erros e busca pelo meu eu interior.
Foram dias nublados, sem a luz do sol, nem flores nascendo, nem pássaros cantando. Chovia e trovejava dentro na minha cabeça eu só queria sair dali.
Você foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Pude saborear ser algo que nunca imaginei que eu fosse capaz de ser. Você fez vibrar cada célula do meu corpo, fez eu me sentir a felicidade em si.
Sei que você, meu amor, teria orgulho se ao menos quisesse me ver. Teria orgulho do homem que eu me tornei e que você lapidou. Teria orgulho de saber que eu sou hoje quem eu quero ser, sem deixar de ser quem eu sou.
Acho que você sorriria em saber que quando penso em você eu sinto amor. Foi amor desde o dia em que te conheci. Será amor amanhã, e depois, e depois...

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Saga

Cara, ela não vai sair da tua cabeça. Você vai achar que a esqueceu. Mas não vai esquecer jamais.
Vai ter dias em que você vai esquecer que ela existe, nem vai se lembrar que ela passou pela sua vida. Em contrapartida, haverá dias em que você não vai conseguir tirá-la da cabeça, nesses dias, você vai lembrar de como eram conectados e algo bem no fundo do seu peito vai tentar ligar o fato de você não conseguir tirá-la da cabeça à ex-conexão de vocês. Você vai querer que ela esteja pensando em você. Mas ela não está.
Acontece que ainda crio diálogos na cabeça. Tem ainda muita coisa aqui que simplesmente não passa. Tenho medo de nunca achar ninguém igual a ela. Mais medo ainda de achar alguém igual a ela. Não vai ser mais ela e isso de certa forma me quebra em pedaços.
Essa é a saga de tentar encontrar um grande amor. Um grande amor pelo qual vale a pena qualquer coisa. Nos dias de frio, perguntamos se um dia alguém vai nos amar, a ponto de sermos nós mesmos.
Prometi nunca mais escrever a ela. E não estou. Estou escrevendo para mim, que depois desse tempo todo, tenho mais dela do que eu mesmo. Escrevo para mim, que sente a falta de poder sentir a falta dela. Não posso mais.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Passagem

Eu já não sei mais o que faço com minha vida. Juro que tentei de tudo. Juro que fiz de tudo para te esquecer e seguir em frente, pois bem, não consegui.
Todos os dias eu acordo e durmo pensando em você. Cada e-mail e cada notificação no celular eu ainda espero que seja você. Meu aniversário se aproxima e eu confesso, tinha esperança que você se lembrasse de mim. Mas então eu vi uma foto sua. Com se novo namorado. Você estava linda. Parecia feliz. Espero que esteja.
Na primeira vez que eu vi sua foto, eu senti algo. Uma mudança para melhor em mim. Hoje depois  de ver essa foto de você e seu novo amor, eu me dei conta que de novo, algo tem que mudar. Algo tem que morrer. Afundarei, então, cada memória, cada pedaço de culpa e todo meu amor por você em um mar aberto de álcool. Espero que não sobre nenhum vestígio de você por aqui.
Quando eu te conheci, um outro eu morreu e eu pude, graças à você, saborear o doce de ser quem realmente sou. Hoje esse meu único e verdadeiro eu morreu. Causa mortis: coma alcoólico influenciado por ter se tornado um ninguém para meu único amor. Agravante: amor, saudade e culpa em níveis elevadíssimos na alma.
Das cartas que te escrevi e que você nunca lerá, essa é a última.

Com amor e carinho, do homem que será para sempre teu (e que acaba de falecer), Mikail Levinski.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

É Tarde

Ela foi a única que já me viu chorar. A única que me abraçou enquanto em prantos eu me derramava, e sem dizer uma só palavra, meu cabelos afagava e a mim abraçava.
Foi no nosso segundo natal juntos (consegui não estragar o primeiro), depois de 9 anos da morte do meu pai, eu finalmente consegui demonstrar para alguém a falta que ele me fazia. Ela me trouxe a sensação de preenchimento e de família que o natal costuma trazer e que eu não sentia há anos, desde a morte do meu pai, e posteriormente, desde a separação dos meus tios.
Ontem o dia foi atípico: almoço em família e café da tarde, mãe, vó, irmão, minha tia e meu tio. Ela era só um pequeno ponto faltando, um pequeno ponto que pesava uma tonelada no meu coração.
Eu nunca fui capaz de demonstrar a ela tudo o que ela significava para mim, acho que nem eu mesmo tinha ideia de tudo o que ela representava para mim. Me prendi demais no amor, paixão, amizade, companheirismo, tesão. Era muito mais do que isso, ainda é muito mais. É algo que nunca soube sintetizar.
Nunca consegui demonstrar tudo isso à ela e nunca conseguirei. É tarde demais.