Eu tava bem pensando aqui sobre como tudo relacionado ao amor parece bobo depois que ele lhe escapa às mãos. Fotos, as músicas compartilhadas, entradas de algum lugar visitado, passagens, cartas escritas à mão e textos de amor e saudade. Tudo, exatamente tudo, parece bobo, clichê e demodê. Quase que como uma ode ao autoflagelo. Isso, claro, para quem ficou amando. Ou que ao menos achou que houve algum tipo de amor.
Quando reflito sobre todos os textos de amor que te escrevi e sobre o tanto de alma que coloquei em cada letra, um único pensamento paira inabalável: quão patético acha aquela que, outrora, fora objeto de meu amor e razão de meu desejo, eu sou por tudo isso? Oras! Como não o poderia ser quando tudo o que foi me dado foram promessas em forma de brincadeira e, eu tolo, acreditei? Como não poderia ser patético quando fui nada, mas deixei que me fossem tudo? Como não poderia ser patético quando explícito o aviso de "vou te deixar" estava e os olhos inocentes do amor não souberam ler?
O amor vira patético na falta. Na falta de um adeus. Na falta da construção da saudade para fazer par à ausência. Na falta do toque. E na falta de expressar, com verdades, aquilo que se é ou não.
Um pensamento paira inabalável: quão patético sou por ter amado e por ter sofrido? Por ter escrito cartas e textos de amor? Por ter guardado fotos e as entradas daquele museu que fomos? Agora não aos belos olhos castanhos dela, mas aos meus. Como eu pudera abrir mão de mim para deixá-la entrar?
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