sábado, 24 de janeiro de 2026

Por mais que eu não pense mais tanto assim em você e, por mais que cada vez menos eu sinta a sua falta, ainda há momentos em que eu lembro de você. Ainda há momentos que eu gostaria que você estivesse comigo.

Neste momento, eu sou capaz de visualizar perfeitamente nós jogando sinuca num bar de rock com chopp superfaturado e nos beijando ao som de um cover ao vivo de Linger. Eu de fato estou no bar de rock com chopp superfaturado e, por algum motivo, eu gostaria de você ao meu lado ouvindo uma banda tocar cover composto de apenas rock cantado por mulheres. E eu que nem sou de jogar sinuca, quando olhei as mesas um pouco separadas do público e ao lado do palco, eu te imaginei com o taco numa mão, a outra me abraçando e nós atentos à banda.

Eu acho que isso faz parte de superar. Num dia eu posso ler meu livro favorito (aquele mesmo que estava dormindo comigo só porque passou pelas suas mãos) e não sentir saudades de você. Mas eu também posso pular meu treino de braço só porque você vivia elogiando meus "bração". E também sentir sua falta e te querer por perto num sábado de rock qualquer.

Me conforta saber que minha memória é fraca e logo eu esquecerei de quão bela você é. E de seu sorriso pateta e de seus olhinhos lindos e de seu deslumbrante cabelão. Eu gostaria que a memória do coração fosse fraca também e eu esquecesse na rapidez da velocidade da luz o tanto que te encontrar nessa vida foi especial pra mim.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

"A dor do amor é com outro amor que a gente cura". Uma frase clássica de umas dessas músicas que o brasileiro nasce sabendo cantar. Pelo menos os acima de 30 anos. 

Eu, pessoalmente, nunca vi sentido. Sempre achei que primeiro nos curávamos e, depois, amávamos novamente. Mas também não sou parâmetro. Eu deixei que a dor de um amor me machucasse por 10 anos. Parte por culpa de alguns erros. Parte por medo. Parte por não achar que fosse digno que alguém me amasse de novo. E parte por simplesmente achar que, ao me curar, tudo o que fui e tudo o que aconteceu iriam embora.

Mas, no instante em que a vi através daquela tela pequena do notebook, no instante em que senti que todos os astros se alinharam, no instante em que fui inundado por paixão, tesão, desejo e por um regozijo ao ouvi-la falar, naquele singular instante que ousei acreditar que aquilo um dia poderia vir a ser amor, eu me curei. Eu me curei da dor do amor e, agora, a dor daquilo que nunca seria amor voltou a doer.

A rejeição e a sua partida não me doem. Dói a incerteza. Eu não sei o que foi real e o que não foi e essa incerteza do que pode ou não ter sido me corrói. A necessidade de interpretar demais as palavras que seus belos lábios diziam me dói. O que era verdade nas suas palavras e no nosso encontro e o que era apenas conveniência disfarçada como música aos meus ouvidos? Dói ter imaginado, por um segundo, que tínhamos encontrado algo mágico para nós.

Talvez seja verdade. Um novo amor cura a dor de outro amor. Seja ele o amor próprio, o amor pelas pequenas nuances da existência ou o amor de terceiros. 

Mas, no fundo mesmo, a verdade é que para alguém que vive ansiando por magia, eu não deveria enxergá-la onde ela não existe.