segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

"A dor do amor é com outro amor que a gente cura". Uma frase clássica de umas dessas músicas que o brasileiro nasce sabendo cantar. Pelo menos os acima de 30 anos. 

Eu, pessoalmente, nunca vi sentido. Sempre achei que primeiro nos curávamos e, depois, amávamos novamente. Mas também não sou parâmetro. Eu deixei que a dor de um amor me machucasse por 10 anos. Parte por culpa de alguns erros. Parte por medo. Parte por não achar que fosse digno que alguém me amasse de novo. E parte por simplesmente achar que, ao me curar, tudo o que fui e tudo o que aconteceu iriam embora.

Mas, no instante em que a vi através daquela tela pequena do notebook, no instante em que senti que todos os astros se alinharam, no instante em que fui inundado por paixão, tesão, desejo e por um regozijo ao ouvi-la falar, naquele singular instante que ousei acreditar que aquilo um dia poderia vir a ser amor, eu me curei. Eu me curei da dor do amor e, agora, a dor daquilo que nunca seria amor voltou a doer.

A rejeição e a sua partida não me doem. Dói a incerteza. Eu não sei o que foi real e o que não foi e essa incerteza do que pode ou não ter sido me corrói. A necessidade de interpretar demais as palavras que seus belos lábios diziam me dói. O que era verdade nas suas palavras e no nosso encontro e o que era apenas conveniência disfarçada como música aos meus ouvidos? Dói ter imaginado, por um segundo, que tínhamos encontrado algo mágico para nós.

Talvez seja verdade. Um novo amor cura a dor de outro amor. Seja ele o amor próprio, o amor pelas pequenas nuances da existência ou o amor de terceiros. 

Mas, no fundo mesmo, a verdade é que para alguém que vive ansiando por magia, eu não deveria enxergá-la onde ela não existe.

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