domingo, 15 de dezembro de 2024

Eu frequentemente tenho dito adeus, mas eu nunca vou embora. Eu não sei o que acontece, mas eu simplesmente não tenho forças para avançar. Preso nesse ciclo vicioso, continuo fazendo as mesmas coisas. Tive forças para alterar as coisas por seis meses. A vida não facilitou, mas eu consegui me desprender da bebida e dos pensamentos. Eu cuidei de mim, fui à academia, melhorei minha alimentação, estudei e tentei. Tentei fazer melhor, tentei me cuidar e esperei que a vida melhorasse. 

Eu pude ver a luz no fim do túnel e pude sentir quando meus pés deixaram de experimentar a terra molhada do fundo do poço. Mas eu fraquejei. Eu deixei me enfraquecer pelas memórias do passado. A cabeça da cobra encontrou seu rabo e tudo voltou ao seu início. Eu não pude me despedir do passado e o que estava iniciando pareceu novamente com o início do passado.

A bebida voltou. Mas dessa vez não tem uma falsa felicidade. Desta vez, é só a tristeza e a dor de tudo que me foi tirado quando o meu eu ébrio ganha tempo de tela. Eu senti a falta de tudo aquilo que já tive e deixei escapar. Eu senti o ciclo reiniciar. Esse ano me devolveu o poder da observação. - Será que toda essa dor vem apenas do fato de eu estar conseguindo enxergar a realidade?

Eu tenho dito também que estou pronto para abrir mão de qualquer coisa, desde que eu consiga chegar aonde almejo. A vida tomou como desafio? Me enfraqueceu apenas para que eu demonstre que realmente quero algo?

Quando foi a última vez que realmente quis algo?

sexta-feira, 3 de maio de 2024

Não importa o quanto eu tente, nada parece o suficiente.
Não importa o quanto eu me cuide, os resultados param de chegar e parece a todo momento que eu estou andando para trás.
Não importa o quanto eu treine, aquele 1kg a mais no supino parece que nunca vai chegar.
Não importa o quanto eu me esforce estudando, parece que meu esforço nunca é o suficiente e que nunca irei ser bom em nada.
Não importa quantos currículos eu envie, uma resposta nunca chega. E quando chega, é não. E quando é sim, acaba se tornando um não também após uma entrevista que só serviu para expor o quanto eu não era o suficiente para a vaga.
Não importa o quanto eu pare de beber, eu sempre vou ser só o cara perfeito para tomar uma gelada numa sexta à tarde.
Não importa quantas séries, filmes, músicas e conhecimentos aleatórios eu tenha, parece que nunca vou suficiente para que alguém se interesse por mim.
Não importa o quanto eu tente, me esforce e dê o meu melhor, minha vida parece nunca caminhar. Parece emperrada. Simplesmente não vai.
Não importa o quanto eu queira me mudar para algum lugar em que ninguém me conheça, isso nunca vai acontecer. A vida simplesmente não me quer feliz. Não me quer recomeçando. Está só me cedendo a grande merda de oportunidade de estar vivo.
Não importa o quanto eu odeie a vida e as forças do universo ou qualquer divindade, eu só pareço um vírus sem propósito que o antivírus do computador deixou passar e que não faz absolutamente nada de ruim ou de bom.

domingo, 7 de janeiro de 2024

Se eu não mudar, eu perco

Um tempo atrás eu li a seguinte frase em algum lugar: "se eu não mudar, eu perco". Ao passo que essa frase se fundia com meus pensamentos, eu notei uma outra frase escrita num muro na rua onde passo todos os dias para ir à academia: "si você não muda nada muda" (pessoalmente sou muito fã de erros de grafia em protestos, causa um impacto e tanto).

Posso dizer que não consigo mensurar o quanto eu tenho perdido. Se puxo na memória, me lembro bem que em 2012 eu ganhei. Ganhei muito. Posso me considerar um campeão. Em 2013, creio que começaram os empates. Sabe como é, né? Acomodação do campeão. Em 2014 eu comecei a perder. São três mil  seiscentos e cinquenta e sete dias perdendo. No início eu não entendia. Não sabia que aquilo tudo era derrota. Mas eu estou sendo derrotado, sabendo disso ou não.

Quando me dei conta de que tudo que tenho feito nos últimos dez anos é ser derrotado, eu me peguei numa pergunta profunda e aterrorizante: o que eu tenho para perder mesmo? Eu evitei pensar sobre isso por um tempo. Sempre que me ocorria tentar entender minhas perdas, eu simplesmente não me permitia. Depois de um tempo fui absorvendo cada derrota dos últimos dez anos e posso dizer... não foi fácil.

Eu poderia listar todas as minhas perdas aqui. Algumas amizades, o amor da minha vida, oportunidades de mudar de vida, cidade ou país, dinheiro, objetos, animais, uma jaqueta que eu amava muito, a vontade de viver e por aí vai. Uma infinidade de coisas.

Por que eu me perdi? Essa é a pergunta principal. Eu entrei numa espiral sem fim onde eu não me achava mais. Eu me separei de tudo que me fazia ser eu mesmo. Posso olhar fotos ou ouvir pessoas me dizerem como eu era. Eu simplesmente não consigo me achar dentro de mim. Perdi muitas memórias de quem eu era. Todos somos mutáveis, mas eu não consigo achar minha essência. Eu tenho me guiado no caminho que eu acho que eu tomaria. É como se eu fosse um copiloto de mim mesmo esperando o meu piloto me encontrar. Ou será que eu sou o piloto fazendo a vez de copiloto?

Eu cansei de perder e estou pronto para sacrificar qualquer coisa que me impeça de voltar a ganhar. Se eu não mudar, nada muda. Se eu não mudar, eu perco.